Nós
temos de tudo, mas não somos dono de nada?
Companheiros
e companheiras,
Recebam
uma saudação e um forte abraço libertário
dos/as companheiros/as do Coletivo Anarquista Liberdade e Solidariedade
Cruz Negra Anarquista da Costa Rica.
Primeiramente
agradecer-lhes pelas mensagens que recebemos. Estamos muito contentes
pelo apoio recebido de vocês. A seguir expomos uma série
de atividades que estão acontecendo por essas terras.
Atualmente
a Costa Rica está jogando um papel muito importante dentro da
OMC e tratados bilaterais e trilaterais. Este é um processo no
qual a sede dos poderosos em relação a esse país
está levando a um sem fim de ?aberturas comerciais?, ou como
estão chamando agora com um bonito nome, ?a liberalização
dos mercados?. Mediante esses processos, o país têm feito
vários acordos de TLC (Tratados de Livre Comércio) com
diversos países, entre eles podemos destacar um dos países
membros do G-8: Canadá, com o qual as negociações
têm avançado.
A
Costa Rica é um perfeito coelhinho da índia para as grandes
potencias mundiais, como Canadá e EUA. Atualmente, dentro do
contexto ALCA e Plano Puebla Panamá (PPP), a Costa Rica, devido
a sua situação topográfica, desempenha um papel
essencial no desenrolar disso tudo. Os rumos dos rios e suas vertentes
servem para uma exploração do potencial hidroelétrico,
de represas hidroelétricas, se destacando as hidroelétricas
de Pascuare e de Bocura. As duas são fatores importantes para
a exploração de uns burgueses monopolistas, e para a abertura
de vários projetos, como o PPP.
A hidroelétrica de Boruca será a maior hidroelétrica
na América Central. Para realizar este mega-projeto é
necessário desalojar cerca de 7 povos indígenas, sepultar
mais de 3000 anos de cultura e inundar 25 hectares de terra, que são
200 quilômetros. Tudo isto em nome do progresso! Altos hierárquicos
das instituições do poder têm dito que os indígenas
não sabem nada de progresso, e os que se opõem a saírem
de suas terras são um bando de comunistas fracassados.
Argumentos
como esses são os utilizados pelos poderosos das instituições.
Eles também negam que a hidrelétrica de Boruca será
parte do PPP, e parte para exportar eletricidade a vários países,
na sua maioria para os EUA. Essa hidroelétrica gerará
22.5% a mais do que consome a Costa Rica, e nos dizem que é somente
para consumo do país!? Estes argumentos não são
apresentados e nem ditos para as comunidades indígenas, para
eles só são levados um monte de cifras e dados técnicos,
que na realidade não revelam nada.
Isto
tudo é só um lado, mas passando para outro tema, dentro
do mesmo contexto, a Costa Rica aprovou recentemente a entrada de navios
de guerras ianques em nossas costas litorâneas. Alguns membros
do coletivo estiveram presentes nos dias 24 e 25 de setembro na Assembléia
Legislativa, junto com outras organizações protestando
contra esta injustiça. No primeiro dia, 24, foi permitida a entrada
dos guarda-costas, e no segundo, a entrada de navios.
Isto,
sem dúvida nenhuma, são avisos prévios do que é
a ALCA e a repressão, como vimos há vários meses.
Por exemplo, no final do mês de julho quando houveram protestos
devido a que uma empresa multinacional, a RITEVE, monopolizou a revisão
técnica que se faz nos carros, levando para seus bolsos cerca
de 200 milhões de cólons (a moeda local), deixando milhares
de oficinas costarriquenses à mercê. Isto provocou uma
série de manifestações, o fechamento de estradas
com barricadas e protestos que levaram aproximadamente 180 pessoas para
a prisão. Mas logo em seguida, em poucos dias, foi aprovada uma
lei que penaliza com 3 anos de cadeia quem bloqueia uma via pública.
Essa
é a etapa de repressão, agora vem à militarização.
Atualmente a Costa Rica está num processo onde por um lado, na
zona atlântica do país, se quer construir uma marina, e
por outro lado, no setor conhecido como ?desamparados de Alaujuela?,
querem construir uma escola policial/militar que é equivalente
a ?Escola das Américas?.
No
protesto do dia da independência da Costa Rica, 15 de setembro,
estávamos nós do coletivo junto com mais 5 pessoas (que
foram as únicas, além de nós, que se fizeram presentes
para protestar) distribuindo nossa propaganda, aí passou o Ministro
da Segurança acompanhado de seus cães de guarda, e nos
disse: ?De onde vocês tiram essas merdas de idéias? Escola
Militar na Costa Rica? Isto é um projeto para capacitar juizes
e advogados para fins jurídicos, e para saber como atuar em casos
de terrorismo. Primeiro saibam do que falam e não confundam as
coisas, posso dar-lhes uma fita e falarmos sobre isto?.
Suas
pobres palavras, na realidade, buscavam nos espantar, mas sem nenhum
êxito, já que seguimos no mesmo local, protestando. A fita
que disse que ia nos dá, nunca nos deu, e os nossos documentos
que demonstram o contrário, nunca foi divulgado. As coisas não
vão muito bem, e os meios de desinformação só
divulgam as coisas que favorecem ao poder.
A
Costa Rica, pouco a pouco, vai entrando por um caminho direto a ALCA.
Aparte de tudo isso, o que para nós é o eixo principal
de tudo, é o novo plano fiscal, que estará dentro de alguns
dias a ser votado na Assembléia Legislativa. Este novo pacotaço
tributário pretende aumentar os impostos, para tratar de sair
de uma dívida externa, o faltante pressuposto do governo equivale
a 130% dos ingressos, e como porcentagem do produto interno bruto (PIB)
4,7%, quase 300 mil milhões de colons.
Isto
é, talvez, um dos problemas mais graves da Costa Rica. Razão
tinha um companheiro indígena de Boruca, quando me disse: ?quando
as políticas externas e os militares controlam seu país,
este já não é seu, nem de ninguém que o
habite?. Com isto entendi que nós temos de tudo, mas não
somos dono de nada. Tudo isso é o que no momento acontece por
essas terras.
Atualmente
o grupo da CNA-ABC está trabalhando em alguns projetos nas prisões,
lamentavelmente é demasiado difícil trabalhar nessa área,
assim trabalhamos em conjunto com alguns companheiros que estudam psicologia,
já que eles têm acesso um pouco mais rápido que
nós a este ambiente, apesar das dificuldades, vamos avançando
pouco-a-pouco.
Passando
para outros temas, no dia 12 de Outubro, houve um protesto onde nós,
do Coletivo Anarquista e Cruz Negra Anarquista-ABC, encabeçamos
uma marcha com a nossa faixa que dizia: ?Não a Alca-PPP-Projeto
Hidroeletrico Boruca- Escola Militar e Navios de Guerra?, e com nossas
bandeiras negras tremulando, logo procedemos ao ponto de onde foi aberto
o comício, na qual participei reafirmando nossa postura anarquista
e com a bandeira negra ao alto, enquanto companheiros gritavam frases
como: ?Bakunin Vive!!!?, ?Abaixo os muros das prisões!!!? ?Viva
a Anarquia, morte ao Estado!!!?, e frases que definiam o ato contra
os navios de guerra e a ALCA.
No
próximo sábado, 26 de outubro, haverá uma marcha
convocada por nós contra a agressão contra o Iraque por
parte dos ianques, esperamos que tudo saia bem.
No momento isso é tudo, e esperamos seguir em contato, e mais
uma vez obrigado pelo apoio.
Enviamos
um enorme beijo e um forte abraço libertário da parte
do Coletivo Anarquista Liberdade e Solidariedade - Cruz Negra Anarquista
da Costa Rica,
Juan
Pablo Hernandez, militante do coletivo e CNA-ABC.
Saúde
e Anarquia!!!
Na
luta até que todos e todas sejamos livres!!!
ps:
Se desejam receber um pacote com todo o material que temos editado,
favor enviar 2 dólares para cobrir os gastos de envio, também
podemos trocar publicações.
Juan
Pablo Hernandez, Apdo. 12926-1000, San Jose-Costa Rica